segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Coração que bate

Se, quando tivesse passado no vestibular pela primeira vez, tivesse concluído e emendado um curso após o outro, já poderia ter me formado cinco vezes! Razão pela qual as provas de ontem remetem mais à lamentação que à esperança.
Sendo assim, melhor que lamentar é conseguir enxergar, além da importância de um novo passo, a poesia que às vezes passa despercebida em questões de vestibulares como o de ontem:

"A maneira de andar como quem busca estrelas pelo chão.
A cabeça a dar contra os muros.
Em cada olho, o mundo como um punhal - cravado.
O pensamento a abrir estradas numa várzea distante.
Diante do mar, a sede, a sede de beber a vida em infinitas viagens.
As garras de gato ante paredes impostas.
A impaciência de que chegue a manhã e a praia, a tarde e o amor.

O coração que bate ao som de fábulas.
Que bate contra rochedos mortos numa praia de cinza onde palpita o primeiro amor.
Coração eterno."

Afonso Felix de Sousa, em autoretrato

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Perdido na própria loja

Já fui um assíduo frequentador lojas de cds, passava horas olhando os clássicos, as novidades e as raridades. Nem os sebos não escapavam, aproveitava a hora do almoço e fazia buscas por cds antigos. Com o advento da internet esse hábito arrefeceu; primeiro pelo custo (apesar de que na verdade eu gastava muito pouco nas lojas), segundo pelo volume do acervo, que na internet é muito maior.

Quando comecei a fazer download de músicas, ia me lembrando das que gostava e ia baixando, foi assim durante um bom tempo. Depois comecei a procurar por novidades. Ouvia alguma coisa nova por aí e fazia a busca no Dreamule e baixava a música, foi assim até recentemente.
Agora me frustra baixar apenas uma música ou outra. Tanto as novidades como os clássicos, prefiro fazer o download do cd completo, mesmo que seja pra deletar algumas faixas que foram incluídas apenas para completar o cd. Me permite encontrar boas músicas que não são trabalhadas e ainda conhecer melhor a obra de cada artista.

Com mais de 5.000 músicas, tá ficando complicado fazer playlists agrupando músicas semelhantes. Agora ando pensando no melhor jeito de catalogá-las.

sábado, 21 de novembro de 2009

Dor

"O que me dói não é o que há no coração,
Mas essas coisas lindas que nunca existirão...

São as formas sem forma que passam sem que a dor
as possa conhecer ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza fosse árvore e, uma a uma,
caíssem suas folhas entre o vestígio e a bruma."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Michael Bublé - Crazy Love

Dois anos e meio depois do aclamado "Call me Irresponsible", o cantor canadense Michael Bublé lança “Crazy Love”, seu 4º álbum em estúdio. São apenas 2 músicas inéditas, e 11 interpretações de clássicos de diversas épocas. Ou seja, regravações. O grande mérito de qualquer regravação é jogar luz sobre a versão original, mas raramente trazem algo novo, mais raro ainda melhorarem o original.

O primeiro single do cd, “Haven’t Met You Yet”, já está tocando nas rádios. Além dele, o álbum inclui “Cry Me A River”, "You're Nobody Till Somebody Loves You” e "Georgia On My Mind", que não é assim nenhum Ray Charles mas passa bem. A música-título é uma regravação da música de Van Morrison. De quebra conseguiu detonar "Stardust" numa versão a capella.
É um disco diferente dos anteriores, é mais introspectivo,  segundo o próprio cantor. Seja como for, a versão masculina de cantoras como Diana Krall e Jane Monheit apresenta nesse cd arranjos competentes e músicas agradáveis, oscilando entre o jazz e o romantismo.


Você encontra o link para download no site musicasparabaixar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Árvores no outono

"As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar.

Certas horas-intervalos que tenho vivido, esculpidas na ternura do isolamento, ficarão para sempre como medalhas. Nesses momentos esqueci todos os meus propósitos de vida, todas as minhas direções desejadas. 

Em todas as minhas horas libertas uma dor dormia, floria vagamente por detrás dos muros da minha consciência, em outros quintais; mas o aroma e a própria cor dessas flores tristes atravessavam intuitivamente os muros, e o lado de lá deles, onde floriam as rosas, nunca deixava de ser, no mistério confuso do meu ser, um lado de cá esbatido na minha sonolência de viver.

Foi num mar interior que o rio da minha vida desaguou. Ao redor da minha casa sonhada todas as árvores estavam no outono. Os momentos mais felizes da minha vida foram sonhos, e sonhos de tristeza, e eu via-me nos lagos deles como um Narciso cego, próximo da água, sentindo-se debruçado nela, por uma visão anterior e noturna, segredada às emoções abstratas, vivida nos recantos da imaginação com um cuidado materno em preferir-se.
Vivi sempre isolado, e cada vez mais isolado, quanto mais dei por mim."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino tem uma legião de fãs. Eu definitivamente não sou um deles. Nunca consegui terminar nenhum de seus filmes. Não gosto de seu estilo, apesar de reconhecer algumas qualidades.
Outro dia li no Verbo Transitivo um elogio a "Jackie Brown", pela resenha me parece mesmo diferente dos demais filmes do diretor.

Apesar de ter gostado da sinopse, fui ver "Bastardos Inglórios" por absoluta falta de opção, a programação nos cinemas em Goiânia atualmente traz péssimas opções.
O filme é muito bom, apesar de um pouco longo e de alguns momentos caricatos, principalmente quando a personagem de Brad Pitt aparece na tela. Quem rouba a cena é o ator Christoph Waltz, que interpreta o "caçados de judeus" Hanz Landa. As cenas com a sua presença ganham intensidade. Li em algum lugar que ele fez o mesmo que Heath Ledger com seu Coringa em Batman, achei a comparação válida.
Mesmo com as marcas registras de Tarantino, mortes violentas e/ou em câmera lenta, vale o ingresso!


Programação dos cinemas em Goiânia:
- Goiasnet - jornal Diário da Manhã

domingo, 8 de novembro de 2009

Hoje não...

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...

Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à mesa para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...

Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Depois de amanhã serei outro, a minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Antes, não...
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser."
Fernando Pessoa

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Regravando

Falei outro dia do cd American Classic, de Willie Nelson, com regravações de clássicos de compositores americanos e mencionei a série de Rod Stewart com a mesma temática. Essa é uma fonte que nunca seca. Regravar clássicos é muito mais fácil que compor coisas novas e com qualidade.
Assim sendo o próprio Rod Stewart segue a fórmula e lança agora Soulbook. Uma coletânea com clássicos da soul music dos anos 60 e 70 mas que nem de longe tem a qualidade da série anterior, as músicas são fracas e os arranjos deixam a desejar. Sua versão para If You Don't Know me by Now dá saudade do Simple Red. Nem o dueto com Stevie Wonder em My Cherie Amoure ou com Mary J. Blige em You Make Me Feel Brand New conseguem ajudar.
Salva-se apenas Tracks Of My Tears.


Na mesma linha, o cantor, pianista e double de ator Harry Connick Jr vem com Your Songs, com clássicos populares que marcaram época. Sucessos interpretados por Frank Sinatra, Elvis Presley, Billy Joel, Beatles, Elton John, Tony Bennet e Nat King Cole.
Suas versões não acrescentam nada aos originais mas são bem agradáveis. E aí está seu grande mérito: seu modo easy listening aplicado a canções consagradas. Derrapa em Besame Mucho, as outras vão bem.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Para corações que sofrem

Esse texto, atribuído a Shakespeare, já esteve aqui no blog há uns 3 anos. O blog mudou, o autor mudou... relembrá-lo me pareceu bastante adequado.

"Depois de algum tempo você descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.


Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Que as circunstâncias e os ambientes têm influencia sobre nós, mas NÓS somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Que não importa onde já chegou, mas onde está indo e se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que paciência requer muita prática. Que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Descobre que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a se perdoar. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára pra que você o conserte."