sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Cavaleiro Pobre

"Ninguém soube quem era o Cavaleiro Pobre,
Que viveu solitário, e morreu sem falar:
Era simples e sóbrio, era valente e nobre,
E pálido como o luar.

Antes de se entregar às fadigas da guerra,
Dizem que um dia viu qualquer coisa do céu:
E achou tudo vazão... e pareceu-lhe a terra
Um vasto e inútil mausoléu.

Desde então, uma atroz devoradora chama
Calcinou-lhe o desejo, e o reduziu a pó.
E nunca mais o Pobre olhou uma só dama,
- Nem uma só! Nem uma só!

Mil vezes sem morrer viu a morte de perto,
E negou-lhe o destino outra vida melhor:
Foi viver no deserto... E era imenso o deserto!
Mas o seu Sonho era maior!

E um dia, a se estorcer, aos saltos, desgrenhado,
Louco, velho, feroz, - naquela solidão
Morreu: - mudo, rilhando os dentes, devorado
Pelo seu próprio coração."
Olavo Bilac

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Balanço geral

Eu, que sempre tentava sair todos os dias atrás de todos os trios, já não me divirto tanto com isso no carnaval de Salvador. Até porque não consigo, não sei como conseguia fazer isso há alguns anos. Não dá pra aproveitar tudo e ver tudo.
A intensidade, a quantidade, e a qualidade precisam ser revistos.

O carnaval de Salvador está cada vez mais elitista, são espaços enormes destinados aos camarotes enquanto que as arquibancadas populares são aqui ou ali. Sei que tem muito dinheiro envolvido, mas o certo seria mais arquibancadas e menos camarotes.
A estrutura sanitária é precaria, se comparada ao volume de pessoas, mas essas pessoas não estão nos camarotes...
Os blocos estão entupidos de gente, é impossível brincar o carnaval quando mal se pode caminhar, ficando naquele passinho de pinguim.
O que eu gosto mesmo, de verdade, ainda é daquele clima de festa no Pelourinho, na sexta-feira.

Apesar da infinidade de trios e blocos, as opções musicais são poucas; cada banda fica forçando a barra na sua "música de trabalho", repetindo-a inúmeras vezes. Fica chato.

Pra mim pessoalmente, esse modelo exauriu. Ainda me divirto bastante, mas preciso buscar novas maneiras (ou lugares) de me divertir no carnaval.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Já é carnaval, cidade, acorda pra ver

O blog avisa que a partir de hoje fará a "cobertura jornalística" do carnaval de Salvador, de onde retornará na quarta-feira de cinzas.

É muito bom fazer parte da maior festa popular do planeta. Confesso que não rola mais aquela adrenalina, aquela ansiedade da viagem... mas ainda assim é muito bom.
Já fui de carro, de ônibus, de avião. Sozinho, de turma, com namorada. Já saí em bloco, já fui na pipoca, na arquibancada e já estive em cima do carro de apoio. Já fui embora à pé, de táxi e já presenciei arrastão em ônibus.
Tá ficando difícil encontrar motivação pra superar esses quase 1.800 kms.
Mas conhece a síndrome do escorpião? Pois é.

Então aproveito para passar pra quem está começando, algumas dicas que a gente acaba aprendendo por bem ou por mal.

- Carregue apenas dinheiro trocado e suficiente para suas despesas no dia, uma cópia da identidade, o cartão do plano de saúde (se tiver), e anotado em algum lugar o endereço de onde está hospedado e um telefone para contato;
- Não leve máquina fotográfica muito cara, que chame a atenção; evite levar celular, um cartão telefônico já resolve; e se for usar pochete, use uma bem discreta por debaixo da camiseta;
- Procure andar sempre em grupo;
- Se for de bloco, evite sair do bloco durante o percurso;
- Salvador tem muitos banheiros químicos, mas as condições de limpeza são ruins. Evite bebidas diuréticas.
- Vá de tênis confortável;
- Passe protetor solar antes de sair, se puder leve com você;
- Fique longe da corda do Chiclete!

Pra quem quiser conhecer as músicas favoritas desse ano clique aqui.
Num carnaval que homenageia Gerônimo, grande compositor baiano, eleito Rei Momo, as músicas estão abaixo da média. Segue aquela que acho que marcará a festa:



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O dever de casa

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos !
Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olharia o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
"
Mario Quintana

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Johann Sebastian Bach - Concertos

Coletânea de concertos de Bach, tido por muitos como o maior compositor da história da música.
O material é um pouco "pesado", e já ouvi algumas coletâneas com repertório mais elaborado, como as 6 suítes de Antonio Meneses, por exemplo. Mas esta também tem boa apresentação, quem sabe os dias de carnaval não sejam adequados para uma audição atenciosa.

Download: Bach - Concertos (105Mb)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sobre o Destino

"Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Destino nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado."
Fernando Pessoa

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Apenas um sonho

Mais um daqueles filmes em que a tradução do título foi feita para que o espectador não precise pensar. O original faz uma ironia com "Revolutionary Road", o nome da rua onde mora o casal de protagonistas, e a vida que levam, os planos que fazem.

Na década de 50, subúrbio de Nova York, a distância entre a "via da revolução" e o cotidiano pequeno-burguês de quem vive ali, sonhando com dias melhores, é um retrato social cortante. Essa distância entre o real e o desejado costuma gerar uma impressão de fracasso com a qual nem todo mundo consegue lidar.

Talvez seja essa mania de ver a vida de forma idealizada. Nunca se é feliz o suficiente.
Fico imaginando quantos casais não se identificaram (ou identificarão) com a desilusão que toma conta desse romance atropelado pela vida real.
Ótimo filme!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Timbalada - Ao Vivo

Cd da Timbalada ao vivo é covardia.
A vida inteira desfilei no Olodum, mas na minha opinião a Timbalada é disparado o bloco mais animado do carnaval de salvador.
Com a saída de Ninha, praticamente a voz da banda, achei que ela entraria numa espiral decadente. Não foi o que aconteceu. Denny não tem a mesma voz de Ninha, mas tem um tmbre parecido e a mesma energia. Conseguiu manter a identidade da Timbalada.
Esse cd ao vivo traz umas duas músicas de cada cd anterior da banda, é praticamente uma reedição de "Vamos Dar a Volta no Ghetho" (1998) acrescido de alguns sucessos posteriores. Mas é muito bom. Uma competência à toda prova, repertório bem escolhido, bem executado alternando o som axé tribal, samba, reggae e salsa.
Fica difícil destacar algo em um cd composto somente de sucessos, mas tem umas faixas que os vizinhos já estão até aprendendo a letra...
Ouça tudo, mas principalmente: "Toneladas de Desejo", "Na Ilha Grande", o ótimo reggae "Regando-te" e a contagiante salsa-brego-romantica "Pedindo pra Voltar".



sábado, 7 de fevereiro de 2009

Cansaço

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo, nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço."
Álvaro de Campos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Comida de verdade

Com os alertas emitidos pelo coração e traduzidos pelo cardiologista, as compras no supermercado sofreram algumas mudanças.
O site da revista Vida Simples traz uma reportagem interessante sobre o assunto, apesar de chover no molhado, diz coisas interessantes:

1. Coma comida
Hoje existe uma penca de outras substâncias comestíveis com aparência de comida. A preferência de consumo migrou drasticamente nos últimos anos dos produtos encontrados na natureza, como um pé de alface ou uma peça de alcatra e um suco de laranja, para os práticos alimentos embalados. Entram nessa categoria sobremesas prontas, sucos e sopas em pó, nuggets e hambúrgueres que são uma moleza de preparar.

2. Evite pôr no carrinho produtos com ingredientes difíceis de pronunciar
Pegue um pão, por exemplo, que tem na sua composição básica farinha, água e sal. Para durar mais e ficar bonito, ter uma cor apetitosa e se manter cheiroso e macio são acrescentados corantes, acidulantes, edulcorantes, emulsificantes e outros “antes”. "Esses componentes, tanto artificiais como naturais, são controlados e não fazem mal à saúde, mas não devem ser ingeridos em excesso”, diz Márcia Soler, engenheira de alimentos do Instituto de Tecnologia de Alimentos.

3. Elabore uma estratégia para facilitar suas compras
Mauro Minniti é um superespecialista em supermercados. Sabe como poucos as estratégias das lojas para vender mais e as artimanhas que tornam o momento das compras algo agradável. A primeira dica dele é esta: crie o hábito de fazer suas compras sempre nos mesmos lugares (é bom ser mais de um para fazer a comparação de preços entre eles). O hábito faz com que você conheça melhor a disposição dos alimentos nas gôndolas, o que agiliza bastante a hora das compras.
Mauro explica que os 20% finais de tempo no súper representam o maior perigo, pois são as compras feitas por impulso. Depois que você compra tudo o que necessita, vem o momento do deleite – e aí é bom prestar atenção para não exagerar. Doces, biscoitos e refrigerantes que ficam próximo ao caixa não estão ali por acaso.

4. Prefira os corredores periféricos do supermercado
A disposição dos supermercados de um modo geral é bem parecida: os produtos alimentícios industrializados ficam nos corredores centrais da loja, enquanto os alimentos mais frescos – hortifrutigranjeiros, laticínios, carnes e peixes, ficam nas laterais e no fundo.
Escolher alimentos mais frescos no lugar de semiprontos significa arrumar tempo para prepará-los. É uma questão de organização – e de rever as prioridades. “Tem gente que gasta duas horas na academia, chega em casa e tira o prato pronto do congelador.

5. Evite produtos que aleguem vantagens sensacionalistas para sua saúde
“Enriquecido com ferro”, “Mais cálcio”, “Agora com vitaminas A, D, e E”.
Alimentos "in natura", como vegetais, frutas e grãos, certamente são sempre a melhor opção e em geral dispensam comunicação e rótulos. Não tem nenhuma placa dizendo que o tomate é rico em licopeno, que fortalece o sistema imunológico. O recado é o seguinte: você nem precisa comer alimentos enriquecidos artificialmente se tem uma alimentação naturalmente mais equilibrada, variada e rica.

6. Pague mais, coma menos (e melhor)
Na gôndola, uma placa chama a atenção para o preço convidativo de um produto. O precinho é tão camarada que você não resiste e acaba levando logo uns três. Este é objetivo: vender mais.
Os nutricionistas alertam que uma dieta baseada mais na quantidade do que na qualidade conseguiu produzir pessoas que conseguem ser superalimentadas e subnutridas ao mesmo tempo. É o resultado de uma alimentação rica em calorias e pobre em nutrientes. Para escapar dessa enrascada, a receita é esta: preste atenção na qualidade do alimento e maneire no tamanho do prato.

Traduzi isso tudo em um modelo bem simples: descubra, nesse universo de alimentos que fazem bem à saúde, aquilo que você gosta. Ou seja, unir o útil ao agradável.
Comendo bem, com saúde e com prazer.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Jammil - Três

A banda formada em 1994 trazia, assim como o Asa de Águia, suas influências de rock, pop e surf music, faziam um "axé praieiro", que ficou sendo sua marca. Chamava-se então Jheremias Não Bate Córner.
No ano seguinte conseguiu seu primeiro sucesso: Milla, que estourou nas rádios na voz de Netinho, que era também o empresário da banda.
Em 1997 por conta de uma questão judicial, passaram a se chamar Jammil e Uma Noites, ou simplesmente Jammil.

As letras falam de amores de verão, com melodias leves e bons refrões, sempre em alto astral. Suas músicas são mais indicadas para dias de sol na praia ou nos clubes do que propriamente para seguir o trio no carnaval.
Para esse CD/DVD "Três" o repertório foi bem escolhido e mesmo com quase uma hora e meia de duração pode ser ouvido na íntegra. Não deixaram de fora os sucessos Ê Saudade, Praieiro, É Verão, Outdoor, Minha Estrela.

A fórmula é de sucesso, tanto que o Jammil vem repetindo cd's ao vivo quase que anualmente. A sequência: Acústico Ao Vivo (2001), Ao Vivo na Balada (2004), Praieiro Ao Vivo (2005), Luau do Jammil (2006) e agora Três.