terça-feira, 30 de junho de 2009

Todos os sentimentos

ChicoAlgumas músicas são tão boas que transcendem a obra do autor e tornam-se clássicos regravados por muitos artistas nos mais diversos gêneros. Descobrir essas pérolas seria impossível se não fosse a internet.
Dentre vários clássicos encontrados (as obras de Cartola e Cole Porter são "hours concours"), estão Beatles, U2, The police e outros. Trago uma das minhas preferidas: Todo o Sentimento, de Chico Buarque e Cristóvão Bastos, originalmente no cd "Francisco", de 1987.


São 14 versões, sendo 5 com intérpretes masculinos e 9 com femininos. Há uma única versão sem o piano, uma em italiano, duas com participação de um dos autores, e outra que inicia com um toque de Ennio Morricone na abertura. Conheça as versões, escolha a sua.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

O caco

"A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia louça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
O que era eu um vaso vazio?

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali."
Fernando Pessoa

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Prison Break

Não embarquei nessa onda de acompanhar séries (Friends, Lost, etc) pelo mesmo motivo que nunca gostei de acompanhar novelas: é um vício!
Agora, depois de ouvir alguns elogios resolvi baixar os episódios de Prison Break, que dizem ser uma das melhores. São 4 temporadas, se não me engano. Estou no meio da 2ª temporada, vendo dois episódios por noite.
A série tem um argumento interessante, mas a medida que evolui começa a ficar um pouco arrastada, como se estivessem espichando a história para manter a audiência. Daí em diante você precisa fazer vista grossa para interpretações medianas e reviravoltas espetaculares uma atrás da outra.
Não deixa de ser um bom entretenimento, mas acho que dificilmente terei paciência para chegar ao último episódio da última temporada.

Lincoln Burrows está no corredor da morte e será executado em algumas semanas, pelo assassinato do vice presidente dos EUA. Seu irmão, Michael Scolfield está convencido de que Linc é inocente; então decide assaltar um banco para ser preso e levado para a penitenciária estadual Fox River, onde seu irmão cumpre pena. Uma vez lá dentro, Michael — um engenheiro estrutural com as plantas da prisão tatuadas no corpo — começa a executar um elaborado plano para libertar Lincoln.

Você encontra o link para download no site rededownload.

sábado, 20 de junho de 2009

A verdade falsa

"O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu. Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.

Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.
Fernando Pessoa

terça-feira, 16 de junho de 2009

Nós e o Irã

Pra muita gente pouco importa o que está acontecendo ou deixando de acontecer no Irã. Eu, particularmente, sempre gostei de ver notícias que mostrassem outras culturas. Nesse mundo globalizado essas coisas parecem mais próximas da gente, mesmo que aconteçam há milhares de quilômetros de distância.
A dificuldade que vejo é de conseguir enxergar os fatos com isenção e com a compreensão de que se trata de uma cultura diferente da minha; modos diferentes de pensar e agir, não necessariamente melhores ou piores.
O blog Bitaites, escrito pelo jornalista português Marco Santos, traz uma visão muito interessante sobre as eleições iranianas e sua repercussão pelo mundo.
Vale a leitura!

domingo, 14 de junho de 2009

Enfado

"Quando era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,
E nada conseguido ou intentado!

Mais velho, digo, com igual enfado:
Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada feito e nada na intenção!

Assim, naturalmente, envelhecido,
Direi, e com igual voz e sentido.

Um dia virá o dia
em que já não direi mais nada.
Quem nada foi nem é
não dirá nada. "
Fernando Pessoa

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Anjos e Demonios

Depois da enorme decepção com a versão cinematográfica de O Código da Vinci, não via nenhum motivo para ir ao cinema ver Anjos e Demônios, ainda mais sendo o mesmo diretor.
Mas achei que estava sendo injusto e que talvez ele tivesse aprendido com os erros do primeiro filme. Fui otimista demais.
Sabe a expressão "história mal contada"? Pois é.

Durante o filme fiquei com a sensação de tê-lo detestado porque havia lido o livro, mas depois vi que para quem não leu a história deve ter feito menos sentido ainda.
Se o livro já continha algumas passagens inverossímeis, o filme suprimiu diversos trechos fundamentais para a compreensão do enredo e acabou virando o Samba do Cardeal Doido.
Me lembrei do tempo de faculdade, quando pegava um texto de 10 páginas e tinha que deixá-lo com apenas duas. Saía cortando parágrafos até caber. No final sobrava uma história sem pé nem cabeça.
Assim é Anjos e Demônios.


Programação dos cinemas em Goiânia:
- jornal O Popular
- jornal Diário da Manhã

terça-feira, 9 de junho de 2009

A Hora

"Quando eu me for,
Por aquele caminho cuja idéia se não pode encarar de frente,
Para aquele porto que o capitão do Navio não conhece,

Seja por esta hora condigna dos tédios que tive,
Por esta hora em que talvez, há muito mais tempo do que parece,
Platão sonhando viu a idéia de Deus

Seja por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho,
Cujas sombras vêm de qualquer outra coisa que não as coisas,
Cuja passagem não deixa perfume nos caminhos do Olhar.

Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que eu não tenho nem quero ter.
Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio
A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
— Tu que me conheces — quem eu sou..."
Fernando Pessoa

domingo, 7 de junho de 2009

Maria Bethânia - As canções que voce fez pra mim

Não vi o especial "Elas Cantam Roberto Carlos" que a rede globo apresentou no último dia 31. O que não pude deixar de acompanhar foi a repercussão de terem sido cortadas do especial as participações de Marina, Paula Toller, Celine Imbert, Rosemary, Adriana Calcanhoto e Martinalia.
É, mas a grande ausência mesmo foi de Maria Bethânia, como deixar de fora uma grande intérprete que tem um cd inteiro com composições dele?
Esse cd é presença obrigatória em qualquer coleção de quem aprecie um ou outro. Interpretações impecáveis, arranjos elegantes.
Ah se ela tivesse incluído "Outra Vez"...

Você encontra o link para download no site dê corda.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sono

"O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono parecerá aos outros o sono de dormir, o sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
É o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro, sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim é contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar."
Fernando Pessoa