sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Curioso Caso

Quando vi o trailler de "O Curioso Caso de Benjamin Button" confesso que não me interessei. Até estranhei quando vieram as indicações ao Oscar, então decidi vê-lo, já que pelo menos o enredo - um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo - é bastante interessante.
Me surpreendi, o filme é muito bom. Baseia-se num conto do escritor americano F. Scott Fitzgerald, mas me senti vendo uma adaptação de Machado de Assis; talvez pela narrativa em primeira pessoa, pelo modo de brincar com a linha do tempo, ou os encontros e desencontros ao longo da vida.
A cena na qual Benjamin narra o incidente que o reaproximaria de Daisy, é sensacional. Ótima pra quem tem a mania de se culpar por tudo o que acontece.

Compartilha-se o conceito da felicidade através de bons momentos: um belo lugar, uma grande música, uma boa companhia...
Durante o filme, que é longo - quase 3 horas - me lembrei de um trecho da música de Sá & Guarabyra, "Quem Saberia Perder":
...Diga quem nunca levanta de noite querendo de volta o perdido.


Não sei se merece o Oscar, mas é um grande filme.
Por falar em Oscar, parece mesmo que "O Curioso Caso..." foi feito sob medida para levar a estatueta. Olha só a semelhança encontrada entre o filme e "Forrest Gump", vencedor do prêmio em 1994:


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Luís Fernando Veríssimo - O Mundo é Bárbaro

Sempre dou boas (e muitas) risadas lendo os livros de Luis Fernando Veríssimo; seu humor fino está escondido atrás de cada ironia, perfeitamente colocadas ao longo do texto.
Com O Mundo é Bárbaro não foi diferente. Cada crônica não ocupa mais que duas páginas, o que torna a leitura muito agradável e que possibilita lê-lo aos poucos, sem compromisso com a sequência.
São crônicas escolhidas entre as melhores que o autor escreveu nos últimos oito anos; elas discutem a ascensão chinesa, a guerra contra o terror, a candidatura de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos (ainda não havia sido eleito) e o passado e o futuro do Brasil e da América Latina.

Veríssimo permanece fiel a seu estilo, casando assuntos que dizem respeito a toda a humanidade com outros tirados da banalidade cotidiana.
Mas apesar disso esse definitivamente não é um livro de humor. Em quase todos os textos estão agudas críticas sociais.
Veja trecho de "Produtos do meio":
Todo brasileiro recebe, desde que nasce, uma educação em descaso. Nas privações que sofre ou vê sofrerem à sua volta, tem um curso prático e permanente de desprezo pela vida.
Um Estado oligárquico que desdenha dos direitos básicos de mais da metade da sua população é um Estado criminoso. Uma elite que constrói simultaneamente uma economia de fantasia para ela e uma das sociedades mais desiguais do planeta para a maioria é uma elite serial killer.
Nos dois casos, são péssimos exemplos para as crianças.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Asa de Águia - 20 anos

O carnaval de Salvador já viveu momentos melhores, musicalmente falando. Não se espera muito desse gênero (axé music), afinal de contas sua função é animar os foliões no carnaval de rua, dentro ou fora das cordas. Mas atualmente só vejo a indústria tentando empurrar músicas medíocres goela abaixo. Bandas formadas pelas gravadoras para fazer sucesso rápido, seguidas pela saída do(a) vocalista para carreira solo.
Se bem que até os grupos afro parecem passar por uma crise de criatividade, vide o Olodum.

Esse "Asa de Águia 20 anos" é água com açúcar. Comemoram 20 anos de carreira mas o foco está nos últimos 15, e já faz tempo que Durval Lelys gasta a imaginação criando personagens e o Asa vem gravando cds com uma "música de trabalho", enchendo o resto com entulho.


É uma pena que uma banda com a sua história e um currículo de grandes músicas, onde uniam o Axé e a Surf Music, siga descendo a ladeira com cds cada vez mais fracos.

Parabéns ao Asa pelos 20 anos, mas ouvindo o cd "Ao Vivo" (1994), esse sim, um clásssico! Raridade até pra comprar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cada dia

"A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim.
Cada dia é o dia que é, e nunca houve outro igual no mundo. Só em nossa alma está a identidade - a identidade sentida, embora falsa, consigo mesma - pela qual tudo se assemelha e se simplifica. O mundo é coisas destacadas e arestas diferentes; mas, se somos míopes, é uma névoa insuficiente e contínua.

O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu.
Desejo partir - não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer - aldeia ou ermo - que tenha em si o não ser este lugar.
Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar, alheio, do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso.
Uma cabana à beira-mar, ou até uma caverna pode me dar isto.
Infelizmente, só a minha vontade não pode me dar."
Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A sombra da vaidade

Semana passada foi a eleição BestBlogsBrazil, como o nome diz, escolha dos melhores blogs do Brasil, feita por internautas.
Não acompanhei a eleição, aliás nem votei. O que pude ver foi apenas a briga entre os dois blogs que disputavam na categoria Universo Masculino:
O Manual do Cafajeste e o Papo de Homem.

Disputa palmo a palmo, vencida com 1% de diferença e com os blogs pedindo votos, posts direcionados e ainda acusações mútuas de deslealdade.
Compreensível, já que um deles por exemplo, publica posts pagos por anunciantes, e quanto maior for a audiência, maior o assédio dos anunciantes e maior o valor do espaço.
Dinheiro e vaidade, às vezes são bons motivadores, às vezes não.

Mal comparando, tempos atrás Faustão e Gugu desceram muito numa disputa pela audiência, com atrações bizarras nos dois programas. Quem saiu perdendo foi o espectador.
É de se imaginar que no caso dos blogs a consequência dessa busca pela audiência seja a perda da autenticidade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Cheiro de Amor - Acústico

Vamos começar a pré temporada de carnaval com um cd light.

A banda Cheiro de Amor tem uma longa história no carnaval de Salvador. Tem inúmeros sucessos principalmente no início da década de 90, na voz de Márcia Freire. Algumas das melhores "levadas" são da banda, coisas como "Doce Obsessão" e "Pureza da Paixão"; e outras como "Tem Cheiro de Amor no Ar", "Benção" e "Mente e Corpo", sem esquecer aquelas que marcaram o início da carreira como "Rebentão", "Auê" e "Poeira Cristalina".

O novo cd é acústico mas Alinne Rosa canta como se estivesse em cima do trio elétrico, o resultado é um conjunto meio desencontrado, que se não é de todo ruim (e não é), acaba tirando do gênero o que ele tem de melhor, ou seja, a força do ritmo.
Além das versões dispensáveis (Janaína, Biquini Cavadão; Mais Uma Vez, Legião Urbana e Uma Noite e Meia, Marina Lima) o cd poderia deixar de lado o jabá, com "participações especiais" de artistas da mesma produtora.
Cheiro de Amor acústico: um axé suave, pré carnaval.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Circo Brasil

O Ministério Público Federal obteve tutela antecipada (espécie de liminar), obrigando o Governo do Distrito Federal a exonerar 272 servidores comissionados, ou seja, sem concurso público, e contratar novos servidores devidamente concursados (que já existem, aguardando uma ilusória convocação).

Ótimo!!
Mas o que fez o nosso excrementíssimo presidente do STF, Gilmar Mendes?
Deferiu o pedido de Suspensão de Tutela Antecipada ajuizado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para impedir a exoneração de 272 servidores sem concurso público, nomeados para cargos em comissão.
Ou seja, a justiça de primeiro grau, quis eliminar um cabide de empregos com indicações políticas e fazer valer o mérito dos concursos, mas o STF, na pessoa do seu presidente, em recurso do governo, cassou a decisão.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Troca

O filme é ambientado nos anos 20 e baseado em uma história real.
Conta o drama de Christine Collins (Angelina Jolie, bonita como sempre), que após um dia de trabalho, volta pra casa e não encontra seu filho. Cinco meses depois a polícia de Los Angeles diz ter encontrado seu filho, só que o menino não guarda semelhança alguma com o menino de Christine.
São bizarras as situações a partir da troca das crianças, todas as tentativas da polícia de limpar sua imagem de corrupta e ineficiente, e uma imprensa fraca que fecha os olhos a todas as evidências.
É daquelas coisas que deixa a gente indignado. É absurdo em cima de absurdo.

Angelina está muito bem, em uma interpretação de alto nível. Pena que passe boa parte do filme com um chapéu enfiado na cabeça, escondendo-lhe o rosto. Não chega a valer um "Oscar", mas merece pelo menos uma indicação.
Percebe-se a mão precisa da direção de Clint Eastwood em mais um ótimo filme, que se não é lá nenhum "Os Imperdoáveis", também não deixa ninguém sair do cinema decepcionado.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Me? Me?

Recebi um "MEME", como não sabia muito bem o que era, fui atrás da resposta (no Google, lógico).
Encontrei no Wikipedia: "É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro". O conceito completo é científico e bem mais abrangente, mas pra mim tá explicado, é essa informação que é passada em bloco, de blog em blog sequencialmente.
Me lembrou aqueles cadernos de perguntas de quando era menino na escola.
Na verdade nunca respondi um. Naqueles em que gostaria de responder não fui convidado; nos outros, em que era convidado, não fazia questão de responder, então não respondia a nenhum.
O DiaCrônico é apenas um meio de compartilhar o que vejo, o que leio, o que penso. Muito do que aprendo atualmente é assim, nos blogs por aí com esses mesmos princípios, seja de jornalistas renomados ou de cronistas "informais".
Não vejo muito sentido então na exposição de informações pessoais, mas publico aqui, esse, como demosntração de consideração à pessoa que me enviou.

As regras são as seguintes:
1. Linkar o blog da pessoa que te indicou.
2. Escrever as regras do meme em seu blog.
3. Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4. Indicar mais 6 pessoas e colocar os links no final do post.
5. Ao publicar o post, avisar aos seus indicados, deixando um comentário em seu blog.


(Vou indicar quem eu acho que pode gostar, é o caso da Cris e da Heloísa.)

Vamos lá:
- Gosto do carnaval na rua
- Sou contra a pena de morte
- Ouço todo tipo de música
- De vez em quando sinto uma saudade do mar, que parece que não tem fim
- Adoro desenho animado
- Raramente perco a paciência, mas gente folgada me tira do sério

É isso aí.
Nem doeu.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Trilha sonora do filme Crepúsculo

Crepúsculo é um filme baseado numa obra literária que parece seguir pelo caminho de Harry Potter. Uma adolescente se apaixona por um vampiro, numa sequencia de livros que lembra mesmo o menino de Hogwarts, obviamente, substituindo a magia pelo "terror-romântico".

De olho no público adolescente, e até para isso, a trilha sonora é bem feita. As músicas tem, em sua maioria, aquela atmosfera soturna presente no filme. Algumas com a mão pesada na guitarra, outras voltadas para os momentos românticos da história. Mas todas elas bem amarradas umas as outras, numa composição coerente.

Essa trilha tirou "Black Ice", do AC/DC, do topo das paradas americanas. É claro que sem o acompanhamento das imagens as músicas perdem boa parte do seu apelo, mas... é assim mesmo.
Arrume um tempinho para ouvir "Eyes On Fire", do Blue Foundation.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Duquesa

Entrou em cartaz hoje nos cinemas uma nova leva de filmes. Ainda bem, até ontem as opções eram poucas, um dos que se salvaram foi "A Duquesa", pra quem gosta de filmes de época.

O filme é baseado num livro da escritora Amanda Foreman, e conta a história (real) de uma jovem que se casa com William Cavendsih, o Duque de Devonshire.
De personalidade forte e alegre, a Duquesa torna-se bastante popular, influenciando a moda e também a política.
A dificuldade no relacionamento entre o marido conservador e machista e a esposa de pensamentos avançados para a Inglaterra de 1780 é a linha que conduz o filme. Traições e triângulos amorosos em um casamento de interesses que não são atendidos.
As interpretações são boas, tanto de Keira Knightley (a Duquesa), como de Ralph Fiennes, (o Duque). A direção é que parece bem conservadora, numa narração linear e um pouco monótona para uma história que poderia render bem mais.
O filme não é ruim, mas em comparação com outro filme de época estrelado pela mesma atriz, o ótimo "Orgulho e Preconceito", fica devendo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Favorita

Não sou de acompanhar novelas. Nunca fui. Até devo ter visto umas duas ou três.
"Roque Santeiro", "Pantanal", e boa parte de "Que Rei Sou Eu".
O que vejo é nas chamadas dos comerciais, o que não é pouco. Dá pra ter uma boa noção do que anda acontecendo nas tramas.

Atualmente, mesmo sem ter visto um capítulo sequer, sei o que tá rolando na história de "A Favorita". Posso dizer que é uma das piores que já tiveram, na rede e no horário (que já foi das 8, e agora é das 9). Extremamante maniqueísta e de situações que de tão inverossímeis mais parecem desenho animado, onde nada precisa ser explicado ou ter coerência.
O único mérito, na minha opinião, é a interpretação de Patrícia Pilar, numa autêntica aula sobre composição de personagem e domínio de cenas. Ela é a dona da novela. Pena que esteja sozinha no meio de atores, diretores e escritores completamente sem noção.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Retratos da Guerra



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Prefere fotos mais chocantes?
The Boston Globe

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Eric Clapton - Pilgrim

Na sua auto biografia Eric Clapton disse que na concepção de "Pilgrim" queria fazer o álbum mais triste da história da música. Acho que é issso que todos levam em consideração quando pensam no cd. Sinceramente não entendo como um cd tão bom pode ser tão mal avaliado, como por exemplo no allmusic.com.
Em termos de músicas inéditas, "Pilgrim" (1998) está no mesmo nível de "Journeyman", clássico do guitarrista.
Composto basicamente de canções sofisticadas, de belos arranjos e variações elegantes, até um blues rasgado no meio do cd (Sick and Tired) ficou bem.
Destaque para "My Fathers Eyes", "River of Tears", "Pilgrim", "Broken Hearted", "Circus", "Needs His Woman", "You Were There" e "Inside of Me".