quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ônibus 174

Em um documentário muito bem construído, o diretor José Padilha monta um quebra cabeças onde no final as peças se encaixam e dão sentido à história do sequestro
ocorrido em junho de 2006, mostrando a trajetória percorrida pelo protagonista.
Sandro do Nascimento, o sequestrador, assistiu ao assassinato da mãe aos 8 anos;
sobreviveu à chacina da candelária em 1993 e tinha apenas 21 anos na época do sequestro.
Em determinados momentos, o filme induz o espectador a sentir pena do sequestrador.
Se não é para tanto, pelo menos percebe-se que não se tratava de um bandido cruel, um "monstro".
A atuação da polícia no episódio remete à recente tragédia de Santo André.

A expectativa criada ao longo do filme torna a história interessante tanto para quem ainda não conhecia seu desfecho,
como para quem acompanhou o acontecimento transmitido ao vivo naquele dia 12 de junho de 2000.



Obs.: Esse documentário é diferente e melhor que "Última Parada 174", de Bruno Barreto, atualmente em cartaz nos cinemas e concorrente brasileiro ao Oscar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dois horizontes

"Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro."
Machado e Assis