quarta-feira, 30 de julho de 2008

Adjetivos

"Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja acreditado;
seja tido por cego e apaixonado,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mim se vêem;
em mim mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria."
Camões

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Aquele que confia

"Quando os olhos emprego no passado,
de quanto passei me acho arrependido;
vejo que tudo foi tempo perdido,
que tudo emprego foi mal empregado.

Sempre no mais danoso mais cuidado;
tudo o que mais cumpria mal cumprido;
de desenganos menos advertido
fui, quando de esperanças mais frustrado.

Os castelos que erguia o pensamento,
no ponto que mais alto os erguia,
por este chão os via em um momento.

Que erradas contas faz a fantasia!
Pois tudo pára em morte, tudo em vento,
triste o que espera, triste o que confia!"
Camões

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Esquecimento

"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."
Neruda

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Alanis Morissette - Flavors Of Entanglement

Alanis Morissette já conquistou seu espaço na música mundial. Já venceu 7 Grammies e tem mais 55 milhões de discos vendidos pelo mundo. O suficiente para gerar a expectativa, já que são 4 anos desde seu último álbum, quanto à qualidade do seu novo trabalho.
A regra é o artista nesse estágio optar por seguir a fórmula de sucesso e repetir a musicalidade.
Esse não é o caso dessa cantora canadense, de 34 anos.

"Flavors Of Entanglement", é o seu 5º de de estúdio, provavelmente o melhor deles. Tem o estilo de Alanis, com as características conhecidas. Mas também apresenta uma sonoridade nova e arranjos diferentes. É marcante a presença da música eletrônica em determinadas faixas.
Pode-se ouvir o cd do início ao fim, com ótimas faixas. Algumas extremamente densas, outras mais leves, na média um cd bem agradável.

Download: Alanis Morissette - Flavors Of Entanglement (65Mb)